BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A arrecadação federal encerrou o primeiro semestre da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em alta de 1,8% em relação ao mesmo período de 2018, já descontada a inflação. A informação foi divulgada nesta terça-feira (23) pela Receita Federal.
Nos primeiros seis meses deste ano, a arrecadação ficou em R$ 757,6 bilhões. O resultado é o melhor registrado pela Receita desde 2014.
O dado positivo do semestre foi influenciado pela alta das receitas do governo em junho. No mês, a arrecadação teve uma alta real de 4,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo a Receita, a greve dos caminhoneiros de 2018 influenciou o resultado. Isso porque, impactada pela paralisação, a arrecadação de junho do ano passado caiu, deixando mais baixa a base de comparação com junho deste ano. O fisco informou que não consegue identificar com precisão o efeito da greve na arrecadação.
Apesar da elevação dos ganhos com tributos no semestre, as contas do governo ainda apontam uma defasagem em relação ao que estava projetado no Orçamento deste ano. Por isso, nesta segunda-feira (22), o Ministério da Economia anunciou um novo bloqueio de recursos de ministérios, no valor de R$ 1,4 bilhão.
O enfraquecimento do desempenho da economia brasileira é um dos fatores que geram impacto nos resultados da arrecadação de tributos.
Neste mês, a equipe econômica voltou a revisar para baixo a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2019. A estimativa foi cortada de uma alta de 1,6% para expansão de 0,81% neste ano.
A alteração fez com que as previsões de arrecadação para o ano também fossem revistas. Nesta segunda-feira (22), o Ministério da Economia informou que as receitas da União neste ano foram revisadas e devem encerrar 2019 em um patamar de R$ 5,9 bilhões abaixo do estimado há dois meses.
De acordo com a Receita, a diferença dos valores é explicada pelo fato de o Orçamento deste ano ter sido elaborado no meio de 2018, quando as perspectivas para a atividade econômica de 2019 ainda eram mais otimistas.
“Olhando essa metodologia, é possível sim que até o fim do ano você tenha uma redução das receitas programadas [no Orçamento]”, afirmou o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias.
Desde a aprovação da Lei Orçamentária Anual de 2019, a projeção de receitas para este ano caiu em mais de R$ 35 bilhões.