SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Manifestantes pró-democracia foram violentamente atacados em uma estação de metrô de Hong Kong na noite de domingo (21) por grupos que, segundo suspeitas, são gangues das Tríades chinesas (a máfia local). Vídeos postados nas redes sociais mostram homens usando camisetas brancas, alguns armados com porretes, agredindo pessoas nas dependências da estação Yuen Long e dentro de um trem.
A polícia está sendo criticada por ter demorado a agir, apesar das constantes chamadas por socorro -segundo manifestantes, eles demoraram mais de uma hora para chegar ao local.
Ao menos 45 pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave.
Testemunhas, incluindo o congressista Lam Cheuk-ting, disseram que os homens tinham como alvo os passageiros de blusas pretas que voltavam de uma grande marcha antigoverno que tinha ocorrido mais cedo.
O congressista, que foi ferido no rosto e hospitalizado, disse que a polícia ignorou seus apelos para intervir. “Eles deliberadamente fecharam os olhos para esses ataques da Tríade sobre cidadãos comuns”, disse à Reuters.
Um porta-voz da polícia afirmou que foram presos dois homens na estação, mas não deu mais detalhes.
A polícia justificou a demora para agir dizendo que teve que “realocar homens de outros distritos” e afirmou que vai fazer de tudo para levar os culpados à Justiça.
Alguns bancos, lojas e serviços públicos amanheceram fechados na região. 
A chefe executiva de Hong Kong, Carrie Lam, condenou os atos violentos e disse que ficou chocada com as agressões na estação, acrescentando que a polícia investigaria o episódio. “Violência apenas trará mais violência”, disse ela nesta segunda.
Alguns políticos e ativistas têm relacionado as gangues das Tríades em Hong Kong à intimidação política em anos recentes, algumas vezes contra ativistas pró-democracia e críticos de Pequim.
Em 2014, a polícia investigou ataques das Tríades contra manifestantes durante protestos pró-democracia que deixaram partes da cidade fechadas por 79 dias.
Desde 9 de junho, Hong Kong é palco de imensas manifestações, algumas marcadas por incidentes violentos entre a polícia e os manifestantes.
O movimento começou em reação a um projeto de lei, agora suspenso, que autorizava extradições para a China continental. Depois, passou a exigir a renúncia de Carrie Lam e fazer outras demandas.
Neste domingo (21), dezenas de milhares de pessoas voltaram às ruas pelo sétimo final de semana consecutivo para protestar contra o governo pró-Pequim do território semiautônomo.
Policiais dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, em meio a cenas caóticas enquanto o protesto rumava para a representação do governo em Hong Kong. 
Segundo os organizadores, 430 mil pessoas participaram dos protestos –segundo a polícia, foram 138 mil.