SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Rescue Me” é uma poderosa canção pop recém-lançada pela banda americana OneRepublic. Serve como prévia do quinto álbum do grupo, que deve sair no segundo semestre. Mas o que faz a diferença nessa história é o vocalista Ryan Tedder.
Aos 40 anos, ele é muito mais do que o cantor de uma banda competente de pop rock, na linha do Maroon 5. Tedder é o mais requisitado produtor e compositor do mercado fonográfico americano.
Não há exagero. Desde 2005, ele produziu mais de 80 artistas, ganhando o Grammy de Gravação do Ano três vezes, com dois discos de Adele (“21′ e “25”) e um de Taylor Swift (“1989”). Entre suas produções, até medalhões do rock, como U2 (no álbum “Songs of Innocence”) e Paul McCartney, sendo parceiro do ex-beatle na canção “Fuh You”.
Como compositor, são mais números impressionantes. Ele tem 241 canções gravadas por uma lista de nomes estelares: Adele, Taylor Swift, Ariana Grande, Beyoncé, Earth, Wind & Fire, Jennifer Lopez, Chris Cornell, Maroon 5, James Blunt, Jonas Brothers, One Direction, Pink e até Stevie Wonder, entre outros.
“Acabo de passar duas semanas de férias e não fiz nada além de descansar com a família. Eu tento desligar um pouco meu trabalho de compositor, mas não dá muito certo”, diz Tedder. “É como um arquiteto, sabe? Em qualquer lugar que esteja ele vai observar construções. É como me sinto olhando ao meu redor, tendo ideias para letras.”
Quando o OneRepublic gravou o álbum de estreia, “Dreaming Out Loud” (2007), ele já tinha seis produções de outros artistas no currículo, mas o disco ficou nas mãos de Greg Wells e Timbaland. No quarto e mais bem-sucedido álbum do OneRepublic, “Oh My My” (2016), dez produtores dividiram o trabalho.
Nos discos da banda, Tedder prefere manter o foco nas composições. “A pressão é naturalmente muito maior. Como eu tive a felicidade de escrever muitos hits de outros artistas, na hora de fazer o meu disco é preciso um punhado de músicas muito boas. Com o OneRepublic, é a minha banda!”
“Rescue Me” chega com um vídeo divertido, dirigido por Christian Lamb, que trabalha com Madonna e Taylor Swift. A estética é anos 1980, com grupos de meninos de bicicleta, na carona de “It – A Coisa” e “Stranger Things”.
Todos os integrantes da banda já estavam na gravação do primeiro disco. Além de Tedder, que também toca guitarras e teclados, são o baixista Brente Kutzle, o baterista Eddie Fisher e os guitarristas e tecladistas Zach Filkins e Drew Brown. Essa longevidade da formação é incomum no cenário pop.
“Somos muito próximos, nossas famílias são amigas. Andamos juntos por todas as cidades nas turnês. Conhecemos vários lugares do mundo, e essas experiências são intensas. É muito bom fazer isso com amigos de verdade.”
Ele gosta de conceber álbuns, mas entende as motivações de artistas que só querem gravar singles. “É difícil, é caro gravar. Antes do streaming, o álbum era o veículo para que o público conhecesse seu trabalho todo. Hoje, você clica e busca tudo que um artista já fez.”
Tão influente no mercado pop, Tedder diz que não se preocupa com os números que alcançará com o quinto álbum da banda, em finalização. “Hoje, com a facilidade de reprodução digital, a música chega a todos. Mas, para mim, o contato pessoal com o público é mais importante.”
Durante 2020, Tedder sentirá esse contato na turnê mundial do OneRepublic. Há chances de shows no Brasil. O cantor recorda com entusiasmo a apresentação no Rock in Rio 2015.
Além de toda essa movimentação nos estúdios, ele arrumou tempo para ser jurado do programa de TV “Songland”, que reúne candidatos a compositor pop. Ele define como uma mistura de experiência emocional com análise técnica. Diz que existem alguns padrões para escrever uma canção, mas é preciso emocionar, passar alguma verdade.
Tedder usa como exemplo a brasileira Anitta. “É um pop de qualidade, a música de Anitta segue estruturas interessantes de composição, e isso pode ser julgado em qualquer lugar do mundo. Não entendo o que ela canta em português, mas, para alcançar a popularidade que tem, Anitta deve certamente falar sua verdade.”