SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Rivais no Corinthians x Flamengo de amanhã, os técnicos Fábio Carille e Jorge Jesus tiveram as carreiras cruzadas em junho de 2018. Na época ambos eram sondados por times sauditas, principalmente o Al-Hilal, do qual eram primeira e segunda opções. O português tinha a preferência e aceitou a proposta, em um cenário no qual restou ao brasileiro acertar com o Al-Wehda, do mesmo país.
Não fosse o “sim” de Jorge Jesus, muita coisa poderia ser diferente a esta altura. A começar pela própria carreira do português, que foi convencido pelos sauditas após uma reunião em Lisboa. O “plano B” era Carille. Se tivesse duas propostas na mesa, o então técnico do Corinthians dificilmente escolheria o Al-Wehda, um clube menor e de estrutura inferior ao Al-Hilal.
A estrutura (ou falta dela) foi a justificativa de Fábio Carille para deixar o futebol saudita após seis meses. Mas teria ele abandonado a aventura e voltado ao Brasil se estivesse no Al-Hilal, um dos grandes clubes do país? O técnico chegou a ser sondado novamente pelo time neste ano, após Jesus ter sido demitido, mas desta vez preferiu seguir no Corinthians.
E Jorge Jesus, estaria hoje no Flamengo se tivesse dito não aos sauditas? Em 2018 ele havia completado seu terceiro ano à frente do Sporting e já não era muito querido, mas as portas do mercado estavam abertas para quem tinha três títulos portugueses no currículo. Ele deixou a Arábia Saudita na mesma época que Carille, demitido por não querer uma renovação longa de seu contrato. Sem clube por seis meses, decidiu recomeçar no Flamengo.
Outra curiosidade em tudo isso é que os dois treinadores têm estilo muito diferentes, apesar de terem despertado o interesse do mesmo clube. Nos dias de jogos, por exemplo, Carille é um tipo introvertido, pensativo, avesso às broncas teatrais na área técnica; já Jorge Jesus não consegue se aquietar: contra o Athletico, há três dias, tanto se mexeu que teve a atenção chamada algumas vezes pelo quarto árbitro do jogo.
O entendimento do futebol também opõe os treinadores. Carille tem ideais quase inabaláveis: trabalha em torno de um esquema de jogo estabelecido (o 4-2-3-1); insiste nos jogadores em que confia, sejam ou não aprovados pela torcida; e é tão avesso a polêmicas que trata a imprensa com uma frieza quase hostil. Já Jorge Jesus é o oposto em quase tudo: tem fama de ofensivo pelo sistema de jogo que gosta (com três meias e dois atacantes); e não dispensa o ar bonachão, como prova o histórico de declarações controversas.
Às 16 horas (de Brasília) de amanhã, portanto, o jogo entre Corinthians e Flamengo reúne dois técnicos muito diferentes e com carreiras de certa forma entrelaçadas. O duelo pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro é o segundo nas carreiras de Fábio Carille e Jorge Jesus: na única vez em que se encontraram na Arábia Saudita, o português levou a melhor por 3 a 0.