SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Artistas e familiares lamentaram a morte do cantor e compositor João Gilberto, 88, neste sábado (6), no Rio de Janeiro.
“João me ensinou tudo. Sou cantora por causa dele”, disse Gal Costa em nota divulgada por seu produtor. A cantora conta que o disco “Chega de Saudade”, álbum de estreia lançado pelo cantor em 1959, foi o primeiro de sua vida.​
“João mudou para sempre a música do mundo. Ele ensinou delicadeza ao Brasil, trouxe a modernidade. É uma perda irreparável. Eu, pessoalmente, sentirei saudade do homem que teve uma influência decisiva no meu canto”, afirmou.
A morte do ícone da bossa nova foi anunciada pelo filho do músico, João Marcelo Gilberto, nas redes sociais. “Meu pai faleceu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda de sua soberania”, diz o texto publicado em inglês por João Marcelo em seu perfil no Facebook.
A causa da morte ainda não foi divulgada. Além de Marcelo, ele deixa outros dois filhos, Bebel e Luísa.
“João definiu uma nova maneira de fazer música brasileira”, afirmou o cantor Roberto Menescal, da geração de Gilberto. “Numa época em que tudo era cantado com força, com seu modo de cantar para dentro João abriu possibilidades para muitos que só seriam compositores. Chico Buarque e Caetano Veloso só puderam ser cantores por causa dele.”
De acordo com Menescal, a última vez em que esteve com João Gilberto foi em Nova York no ano de 1962. “João estava sempre escondido do mundo.”
O cantor e compositor Carlos Lyra afirma ter sido pego de surpresa com a notícia. “Sabia que ele não estava bem, mas não tinha noção da gravidade.” Lyra disse ver passar um ‘flashback’ dos momentos compartilhados ao lado do cantor.
“João foi quem deu a forma à bossa nova e é seu intérprete maior. Sua importância é inquestionável. Espero que sua obra seja mantida e que as novas gerações tenham pleno acesso a ela. Ele faz parte da memória cultural desse país”, disse Lyra.
Para Jorge Vercillo, a música de João Gilberto extravasou as fronteiras da bossa nova e teve sua influência notada nos gêneros pop, R&B, lounge, smoth jazz e até no hip-hop.
“João juntou em seu violão o jazz de Cole Porter com as melodias de Tom Jobim, ajudando a criar esse novo padrão harmônico-melódico dissonante que tantos de nós seguimos. A música de João Gilberto não termina na bossa nova”, disse Vercillo.
Apesar do debilitado estado de saúde do cantor ter vindo a público há algum tempo, o bandolinista Hamilton de Holanda afirmou que João Gilberto é o tipo de pessoa que nunca se espera que vá morrer.
“Tive a sorte de conhecer sua música através de meu pai e aprender muito com sua harmonia, sua batida, sua simplicidade. O que ele fez pelo país o eternizou”, disse Holanda.
No Facebook, a neta do cantor Sofia Gilberto, filha de João Marcelo, comentou a perda. “Meu vovô foi o vovô mais amoroso e carinhoso que eu podia ter tido.”
Criada em fevereiro deste ano, a página de Sofia traz raras imagens de João Gilberto junto a sua família.