FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) – Há um setor da economia em que o desemprego ainda não bateu na porta. Pelo contrário. No ramo de tecnologia da informação e comunicação (TIC), sobram vagas pelo país. Faltam programadores, desenvolvedores, cientistas de dados…
Segundo relatório recente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o setor abriu 43 mil novas vagas no país em 2018. 
Desse total, mais da metade era voltada para profissionais dedicados a desenvolver softwares. De acordo com a pesquisa, esse é justamente o subsetor que apresenta maior potencial de crescimento para os próximos cinco anos.
Não há estudos que apontem o número atualmente de oportunidades de emprego nas empresas de tecnologia no Brasil. Existem estimativas regionais.
O presidente da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), Daniel Leipnitz, afirma que há pelo menos 700 vagas no estado. Em Pernambuco, existem aproximadamente 900 vagas, de acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresa de Tecnologia da Informação (Assespro), Italo Nogueira.
“A indústria da tecnologia espera dobrar de tamanho até 2024. Para isso, serão demandados 70 mil profissionais a cada ano”, afirma Nogueira.
Em Santa Catarina, há mais de 12 mil empresas voltadas para a tecnologia, número 13,9% maior do que o registrado em 2015, segundo os dados da Acate.
Leipnitz afirma que há muita dificuldade para preencher as vagas abertas. De acordo com ele, os profissionais habilitados para os empregos de ponta são escassos.
“O setor de tecnologia já representa uma parcela significativa do PIB de Santa Catarina [5,6%, segundo números de 2015]. Isso é resultado de políticas públicas que incentivam o nascimento de empresas de ponta”, diz Leipnitz. 
“No entanto, há um descompasso com a qualificação e formação. Faltam profissionais capacitados para assumir essas vagas abertas.”
Leipnitz aponta este como um dos principais gargalos para a expansão do setor no Brasil. Há demanda, mas não profissionais em número suficiente. 
Dados apresentados pela Associação Brasileira de Estágios, com base no Censo do Ensino Superior de 2017, do Ministério da Educação, ilustram esse problema. 
Apesar de estar em alta, o mercado de tecnologia ainda não cativa os jovens do país como carreiras que já atingiram um ponto de saturação, como direito.  
Diretor de produtos da Involves, empresa voltada para soluções para o trade marketing (vendas externas), com sede em Florianópolis, Pedro Galoppini também se queixa da falta de mão de obra. Segundo ele, essa escassez de profissionais de tecnologia leva a um troca-troca entre as empresas.
“O profissional que está na minha empresa vai para uma outra e, para suprir esta demanda, tenho que contratar alguém que também já está no mercado”, afirma Galoppini.
De olho em um mercado aquecido e com provável abundância de oportunidades ao longo dos próximos anos, Jennifer Takagi decidiu entrar para o mundo da tecnologia.
A jovem de 25 anos deixou o Mato Grosso do Sul para se aventurar no mundo dos códigos na capital catarinense. Ela concilia o curso de gestão da tecnologia da informação no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) com o trabalho na Linx, especializada em tecnologia para o varejo. 
“Parece um clichê, mas hoje trabalho com algo que me anima a levantar todos os dias”, afirma Jennifer.