SPIELBERG, ÁUSTRIA (UOL/FOLHAPRESS) – Nos primeiros treinos livres para o Grande Prêmio da Áustria, realizados na manhã desta sexta-feira (28), no Red Bull Ring, a temperatura do ar era de 27ºC e, na pista 48ºC. Até aí, nada de alarmante, mas este é só o começo: a expectativa é de que as tardes em Spielberg sejam escaldantes, principalmente no domingo (30), quando se espera até 35ºC na hora da corrida, que é disputada à tarde.
A onda de calor que assola parte da Europa chegou também à região montanhosa da Áustria onde a Fórmula 1 disputa sua nona etapa neste final de semana, e é um desafio para os pilotos, e principalmente para os carros.
“Fisicamente, vai ser uma corrida muito difícil, mas estamos preparados para isso”, disse Charles Leclerc à reportagem, enquanto Lewis Hamilton, terceiro piloto mais velho do grid, brincou dizendo que “será mais fácil para os mais jovens do que para nós”.
“Na semana passada também estava quente e perdi 3kg durante a prova. Espero que seja algo semelhante. Mas acho que quem sofre mais são os mecânicos, que trabalham o dia inteiro na garagem em pé. É muito duro para eles”, completou Hamilton.
São os mecânicos que vão fazer os pit stops, então há uma atenção especial das equipes com a hidratação e as condições de trabalho deles no calor. Mas a grande preocupação não é com o fator humano.
“Para o motor e o sistema de refrigeração vai ser muito mais duro porque eles não são pensados particularmente para este tipo de temperatura, mas sim para uma temporada inteira”, explicou Leclerc. “Então vamos precisar administrar bastante, mas mesmo assim deve ser empolgante.”
Como salientou o piloto da Ferrari, os carros não são pensados para trabalhar sob temperaturas tão altas e há preocupação com diferentes áreas: os motores turbo já são mais exigidos devido à altitude de 700m acima do nível do mar e têm ainda a pressão da temperatura.
Sobrecarregado, o sistema de refrigeração do carro precisa de uma “ajuda”, e são adotadas mais aberturas na carenagem, o que prejudica o rendimento dos carros. Os freios também sofrem com as altas temperaturas, assim como os pneus.
“Ano passado, tivemos um abandono duplo, então já posso imaginar a tensão dos engenheiros, porque está fazendo muito calor aqui”, lembrou Hamilton.
“São só dez curvas, mas os carros estão sempre no limite em termos de refrigeração. Os carros estão mais pesados, então isso coloca mais pressão nos freios, que já operam no limite normalmente. Além disso, temos que abrir o carro para ter mais refrigeração e isso é sempre pior para a performance. Será um final de semana interessante”, disse o inglês.
No primeiro treino livre, ainda sem tanto calor, Hamilton foi o mais rápido, com 1m04s838, a 0s144 de Sebastian Vettel, em segundo. Valtteri Bottas, a 0s161 do companheiro de Mercedes, ficou em terceiro. Na segunda atividade do dia, Leclerc cravou o melhor tempo, com 1m05s086. Bottas, a 0s331, foi o segundo, enquanto Pierre Gasly, da Red Bull, foi o terceiro, 1m05s487.
A Mercedes de Hamilton e Bottas vem de oito vitórias seguidas nas oito primeiras corridas do campeonato. No ano passado, no entanto, sob outra onda de calor na Áustria, viu seus dois carros quebrarem e Max Verstappen vencer a corrida.