LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) – Os estranhos cartazes espalhados por diferentes metrópoles não foi a única estratégia de promoção, por assim dizer, incomum para o disco “Anima”.
Thom Yorke recorreu ao multi-premiado diretor Paul Thomas Anderson para dirigir o curta-metragem musical que leva o mesmo nome do disco e estreia nesta quinta (27) na Netflix.
Yorke e a namorada, a atriz Dajana Roncione, fazem o par romântico no filme, cuja narrativa parte do encontro dos dois em um vagão de metrô em que todos agem como sonâmbulos teleguiados.
Premiado por “Boogie Nights” (1997), “Magnolia” (1999), “There Will Be Blood”, (2007), entre outros filmes, Paul Thomas Anderson tem também uma longa carreira como diretor de clipes. Em 2016, ele dirigiu Daydreaming, The Numbers e Present Tense, para o Radiohead.
Em “Anima”, o coreógrafo franco-belga Damien Jalet –que já havia feito a coregrafia da refilmagem de “Suspiria”, por Luca Guadagnino– dirigiu bailarinos da Companhia Nacional de Dança da Islândia e da Opera de Gotemburgo em movimentos paranóicos para as canções “Not the News”, “Traffic”, “Down Chorus”, certamente as mais memoráveis do novo disco.
O encontro romântico de Yorke e Roncione desafia o pessimismo e escuridão que o filme enseja.
Desde a turnê “Tomorrow’s Modern Boxes”, de Yorke com Nigel Godrich, no ano passado, o artista britânico vem compensando um certo vazio no palco através da associação de sua música a imagens de impacto.
Nos shows, o artista multidisciplinar Tarik Barri produzia na hora o que era projetado nos telões atrás dos músicos. “Às vezes, era só isso que se via, porque eu e Nigel estávamos no escuro. Então foi muito importante”, lembra Yorke.
Desta vez, o músico deixou aflorar seu lado ator –e dançarino. Ele escala paredes inclinadas e faz movimentos dignos de um herói dos quadrinhos em busca de seu par romântico real, a italiana Roncione. “Anima” teve cenas gravadas em Praga, na República Tcheca, e em Les Baux-de-Provence, na França.