SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Cruzeiro rescindiu os contratos de prestação de serviço de parte dos 18 conselheiros que estavam sob esta condição no ano passado. No entanto, ao menos dois permanecem trabalhando no dia a dia: o diretor geral Sérgio Nonato dos Reis e o diretor comercial Renê Gustavo Salviano.
Os dois são remanescentes da lista divulgada há um mês em reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo. Eles, no entanto, tiveram os contratos readequados, com pagamentos inferiores aos recebidos no ano passado. Juntos, eles faturaram R$ 2.193.978,35 em 2018. Serginho, como é conhecido, recebeu R$ 1.904.478,35, e Renê embolsou R$ 289.500,00.
Após a publicação desta matéria, o diretor comercial do Cruzeiro, Renê Salviano, entrou em contato com a reportagem para esclarecer a sua situação: “Desde o dia em que entrei no clube [em 20 de fevereiro de 2018], eu tenho o mesmo salário – de quase R$ 30 mil – e já pedi ao Conselho Deliberativo para resolver a minha situação. Não atuo mais no Conselho do clube, não frequento as reuniões”, disse.
“Recentemente, me procuraram para rediscutir a minha situação. Eu falei que poderia ser CLT ou continuar como PJ, mas acumulei várias diretorias e jamais mudei o meu salário. É o mesmo”, acrescentou.
De acordo com o Estatuto do Cruzeiro Esporte Clube, em seu Art. 18, § 3.º, “o Associado Conselheiro Nato e Associado Conselheiro, contratado como empregado do Clube, perde o mandato e o suplente de Conselheiro será excluído do quadro de suplência”. Ambos se mantêm na cúpula com cargos remunerados e seguem como associados conselheiros.
Em 19 de junho passado, há pouco mais de uma semana, o vice-presidente Hermínio Francisco Lemos informou a Zezé Perrella, presidente do Conselho Deliberativo, por meio de nota, que foram feitas rescisões de contratos de conselheiros do clube.
“Servimo-nos da presente para informar à V. Sa. que já foram feitas as rescisões (distratos) referentes aos contratos de prestação de serviço de conselheiros do Cruzeiro Esporte Clube, inclusive em razão da necessidade de redução de custos e em observância à recomendação do Conselho Deliberativo, conforme ofício encaminhado em 10/06/2019”, escreveu.
O vice, no entanto, não informa quem manteve vínculo empregatício no clube, tanto que membros da mesa-diretora do Conselho Deliberativo não souberam informar se ainda havia conselheiros remunerados após consulta da reportagem. Procurada, a diretoria do Cruzeiro, liderada pelo presidente Wagner Pires de Sá, optou por não se manifestar sobre o caso.
No mesmo dia 10, Zezé Perrella havia informado que não permitiria a participação de conselheiros remunerados em reuniões do Conselho Deliberativo: “tendo em vista a eleição do novo Conselho Fiscal (…), comunico ao Sr. Conselheiro o seu impedimento para comparecer ao salão de votação e votar, já estando o sistema informatizado programado neste sentido”, escreveu em nota.
O caso dos conselheiros remunerados ainda será averiguado pela mesa-diretora do Conselho Deliberativo. O mais provável é que eles tenham que se licenciar do Conselho ou abdicar dos cargos ocupados atualmente na diretoria.