RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta quarta-feira (26) que a capital fluminense e São Paulo podem sediar, em anos alternados, as provas da F-1. As duas cidades disputam ser o palco do evento a partir de 2021.
Ao lado do prefeito Marcelo Crivella (PRB), Witzel também criticou o governador João Doria (PSDB) pelo comentário de que só é possível chegar a cavalo em Deodoro, bairro em que o Rio de Janeiro pretende construir o autódromo.
“A F-1 pode até alternar. Faz um ano no Rio de Janeiro, um ano em São Paulo. Eu quero que o Brasil ganhe. O Brasil não pode perder. Ficar dizendo que chega a cavalo, não sei o quê… Isso é de uma ignorância de alguém que está olhando para o próprio umbigo. Eu não olho para o meu próprio umbigo, olho para o Brasil e os brasileiros”, disse o governador do Rio de Janeiro.
Crivella ironizou a declaração do governador paulista.
“O Doria disse que só se chega em Deodoro de cavalo. É verdade. Os carros de F-1 têm mil cavalos de potência”, afirmou o prefeito.
O comentário de Doria foi feito após encontro com Chase Carey, diretor-geral da F-1.
“Os veículos de comunicação vão lá visitar e ver se há condições de fazer qualquer coisa. Não quero desmerecer, mas recomendo de uma maneira sutil: visitem Deodoro. Sobrevoem a área, vocês não vão conseguir chegar lá. Não tem estrada, só a cavalo. Façam uma visita, aluguem um helicóptero, um drone. Não estou desmerecendo. Não há nada, nem acesso, nem energia, nem saneamento”, afirmou.
Witzel também aventou a hipótese de que seja feito dois Grandes Prêmios no país.
“Não tem corrida entre Rio e São Paulo. Sempre defendi junto à F-1 que tivéssemos dois grandes prêmios no Brasil”, disse ele.
A reportagem tentou contato com Doria. A assessoria de imprensa do governador disse que “todas as informações que o Governo de São Paulo tem a declarar sobre o tema foram comunicadas ontem [terça] durante a entrevista coletiva”.
Em maio, Bolsonaro assinou um termo de cooperação com o objetivo de levar as provas de F-1 para o Rio, em um autódromo que ainda precisa ser construído, na região de Deodoro, zona oeste da cidade.
No dia 20 de maio, o único grupo a mostrar interesse no negócio, o consórcio Rio Motorsports, foi anunciado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como vencedor da licitação para construção e operação por 35 anos do circuito.
O projeto de construção do autódromo está orçado em R$ 697 milhões e prevê uma pista de 5.835 m projetada pelo arquiteto alemão Hermann Tilke, autor dos desenhos de circuitos como os de Xangai, na China, e Sepang, na Malásia. A capacidade de público será de 130 mil pessoas.
A concessionária diz que o prazo de construção pode chegar a 17 meses, mas que “em um cenário otimista” poderá reduzir para 14 meses.
Doria e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, se articularam para que a cidade não perca um dos seus eventos mais atrativos comercialmente.
O governador disse que, no ano passado, os três dias de GP em Interlagos geraram 10 mil empregos e cada turista gastou, em média, R$ 3.000 durante o fim de semana de provas.
Segundo a SPTuris, a última corrida movimentou cerca de R$ 334 milhões com o turismo, um crescimento de 19,2% frente aos R$ 280 milhões registrados em 2017. O valor é superior ao Carnaval, com R$ 220 milhões, e a Parada do Orgulho LGBT, com R$ 288 milhões.
Levantamento da Folha de S.Paulo, com base em informações de contratos publicados no Diário Oficial e também por jornais da época, mostrou que o autódromo de Interlagos recebeu investimento público de ao menos R$ 830 milhões (em valores corrigidos pela inflação) ao longo dos últimos 29 anos em que sediou o GP Brasil.