SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Como resultado da falta de vacinação contra o sarampo, os Estados Unidos já registraram 1.077 casos da doença só neste ano e vivem o maior surto desde 1992. 
Os casos confirmados apenas no 1º semestre de 2019 já ultrapassam o número de ocorrências anuais registradas nos últimos 25 anos. 
A última atualização do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA revela que 33 novos casos foram confirmados no país entre maio e junho deste ano, a maior parte em Nova York, cidade que responde por cerca de 580 casos desde setembro de 2018. Apenas três dos novos casos não aconteceram na cidade. 
O maior surto de sarampo até o momento havia acontecido em 1992, quando foram registradas 2.126 infecções pelo vírus. 
Para tentar frear o avanço da doença, algumas cidades, como Nova York, chegaram a impor multa àqueles que se recusassem a imunizar as crianças. A cidade também declarou estado de emergência após confirmar a infecção de 285 crianças que viviam no Brooklyn e pertenciam a famílias de judeus ultraortodoxos. A maior parte dos novos pacientes diagnosticados com sarampo também são crianças em idade escolar, o que levanta suspeitas sobre a influência da onda antivacinação no surto. 
Algumas comunidades ultraortodoxas chamaram a atenção das autoridades devido a preocupações de pais de que a vacina contra sarampo poderia causar autismo, preocupação alimentada por boatos e vídeos de conspiração amplamente difundidos na internet. Em decorrência disso, no dia 14 de junho, legisladores de Nova York proibiram alegações religiosas para não vacinar crianças no intuito de impedir que essas comunidades passem por novos surtos. 
O órgão ainda precisou vir a público para explicar que não há evidência científica que comprove os boatos.
“O sarampo é evitável e a maneira de acabar com esse surto é garantir que todas as crianças e adultos que podem se vacinar sejam vacinadas. Mais uma vez, quero tranquilizar os pais: as vacinas são seguras, elas não causam autismo. O maior perigo é a doença que a vacinação impede [de se manifestar]”, disse o diretor do CDC, Dr. Robert Redfield, em maio. 
Os EUA haviam eliminado a doença no país em 2000, mas com o novo surto é possível que os americanos percam o status de doença erradicada caso o sarampo continue se espalhando até setembro deste ano, quando o surto completará um ano.