McLaren que homenageia Senna é testada na pista de Interlagos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A caixa dos óculos de sol e outras bugigangas devem ser deixadas de lado. Não há porta-objetos no McLaren Senna, um automóvel que custa por volta de R$ 8 milhões. Seis unidades foram vendidas no Brasil.
Disponível para uma volta no Autódromo de Interlagos (zona sul de São Paulo), o carro é uma das atrações do Senna Day. O evento, realizado nesta quarta (1), homenageia o tricampeão de F-1 que morreu há 25 anos, em Ímola.
O superesportivo inglês respeita o nome que carrega e está pintado nas mesmas cores das McLaren Marlboro usadas por Ayrton Senna nos títulos de 1988, 1990 e 1991. O veículo pertence à fabricante inglesa e é o primeiro protótipo desenvolvido.
Segundo o piloto Rodrigo Hanashiro, que é um dos instrutores do evento, o veículo avaliado não é tão evoluído como os outros 500 que chegaram às lojas mundo afora. As diferenças estão em um ajuste ou outro. São detalhes imperceptíveis em um contato tão breve.
Mas o que importa está lá: um motor traseiro central 4.0 V8 biturbo com 800 cv de potência, pronto para fazer o McLaren Senna chegar aos 100 km/h em 2,8 segundos, de acordo com a fabricante. A velocidade máxima é estimada em 340 km/h.
As portas se abrem para cima e há um amortecedor que ajuda na retenção e no movimento. São levíssimas, pesam nove quilos. Os bancos também são “peso pluma”, basicamente conchas de fibra de carbono com finas camada de espuma.
Os cintos de segurança tem um ponto de fixação central e três fitas –duas vão sobre os ombros e uma entre as pernas. Coisa de carro de corrida, pois esse automóvel chamado Senna não foi feito para as ruas.
O botão de partida fica no teto e, ao pressioná-lo, o V8 desperta com um urro. O isolamento acústico é pífio.
A pista é liberada e o McLaren Senna dispara como se não houvesse amanhã. O primeiro reflexo logo após a arrancada é aliviar o pé direito –o carro é mais veloz do que o piloto poderia supor.
A curva 1 chega e o freio é acionado pela primeira vez. O pedal é duro, mas faz o esportivo reduzir velocidade de forma tão abrupta que fica fácil entender a preocupação dos organizadores com o ajuste correto do cinto de segurança.
A melhor opção é seguir adiante em ritmo de passeio, respeitando os próprios limites. O carro poderia ter contornado o S do Senna em tocada bem mais forte.
Chega a reta oposta e é hora de acelerar de novo. O McLaren joga o aprendiz de piloto para trás e o velocímetro logo passa dos 200 km/h. Rodrigo Hanashiro está no banco do carona e diz que, nos preparativos para o evento, chegou aos 280 km/h nesse trecho.
É nos pedaços mais travados do circuito de Interlagos que o McLaren mostra o quanto tem de chão, como dizem os pilotos de verdade. O esportivo passa pela curva bico de pato agarrado ao asfalto, parece ficção.
Como as portas são vazadas -há uma “janela” na parte inferior- é possível ver, pelo canto do olho, as zebras pintadas de verde e amarelo. Parece que se está em uma velocidade ainda maior que a mostrada no painel.
Ao parar no ponto de desembarque, Hanashiro agradece pela volta que, segundo ele, serviu para dar uma esfriada no sistema de freios de cerâmica. Isso quer dizer que a velocidade imposta foi baixa demais para os limites do carro.