LONDRES, INGLATERRA (UOL/FOLHAPRESS) – Na véspera da final da última Champions League, uma pessoa chamou a atenção no terraço do hotel Intercontinental, em Kiev, na Ucrânia. Ao lado do técnico do Liverpool, Jurgen Klopp, e dos jogadores, circulava o holandês Pepijn Lijnders, uma cara conhecida de todo o elenco após passagem anterior de mais de três temporadas por Anfield. Pouco depois disso, a explicação para a sua presença: ele havia acertado o seu retorno ao clube como assistente. A quem quer que se pergunte nas redondezas de Merseyside, é praticamente um consenso: Lijnders é o principal responsável por fazer do brasileiro Fabinho uma das peças-chave dos ingleses na temporada. O atleta de 25 anos teve a sua transferência do Monaco para o Liverpool anunciada na semana seguinte à derrota na decisão da Champions League contra o Real Madrid. O seu “desabrochar” com a nova camisa, no entanto, custou um pouco mais do que esperado: a primeira partida como titular do clube aconteceu somente em 27 de outubro. Em quase três meses, por repetidas vezes, as cifras em torno de sua contratação e a sua ausência recorrente na lista de relacionados acabaram sendo contestadas. Não foi, mesmo, um período inicial dos mais fáceis. É nesse ponto, contudo, que, conforme escutado pelo UOL Esporte, Pep Lijnders tem a sua importância ressaltada. Fluente em português após uma experiência de sete anos no Porto, ele foi o encarregado por segurar a barra quando a pressão era grande e a paciência cada vez menor ao redor de Fabinho. No dia a dia, a dose de calma vinha de suas palavras. A recompensa está agora à mostra, com o reconhecimento cada vez maior de todos os lados. Uma das lendas do Liverpool, o ex-zagueiro Jamie Carragher, que trabalha atualmente como comentarista da emissora Sky Sports, se referiu a Fabinho nas últimas semanas como “possivelmente, o melhor jogador da equipe desde a virada do ano”. Não poderia haver maior sinal de prestígio em um grupo que conta também com Alisson, Virgil Van Dijk, Roberto Firmino, Sadio Mané e Mohamed Salah. Em mais de uma ocasião, Lijnders definiu o papel do camisa 3, que surgiu no Paulínia e passou pelo Fluminense antes de bater asas para fora, como o “farol” que controla o “caos organizado” que rege a dinâmica de jogo do Liverpool. Do alto de seus 1.88 metros, Fabinho visualiza a tudo, se antecipa a problemas e dá mais velocidade na transição para a frente. O equilíbrio que demonstra na função de número 6 encantou Klopp, permitindo ao técnico adiantar James Henderson em campo e embalar de vez o time ao seu molde. “De vez em quando, você tem aqueles momentos em que vê que tudo está dando certo. Para mim, foi assim com o Fabinho desde que ele chegou”, afirmou o alemão, em entrevista coletiva recente. O resultado é a disputa cabeça a cabeça com o Manchester City pelo título da Premier League, restando três rodadas, e a vaga nas semifinais da Champions League contra o Barcelona. “Com um nome como Fabinho, é mais ou menos como se costuma dizer em português: ‘a bola sempre sai redonda’. O timing dele e também a sua visão e a sua calma na condução dão outra perspectiva para o nosso meio-campo”, completou Pep Lijnders. Não importa se como zagueiro, lateral direito ou, principalmente, como volante, Fabinho é um dos fatores que deixa o Liverpool ver cada vez mais próximo do sonho de encerrar o jejum de 29 anos sem erguer a taça do Campeonato Inglês. É o sopro de bossa nova em uma equipe que se orgulha de praticar um “futebol rock and roll”.