Mourão diz que 'pressão e emoção' provocam casos como fuzilamento de músico


BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Em entrevista a uma rádio nesta sexta-feira (12), o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que “pressão” e “emoção” provocam episódios como a morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, 46.
O músico estava em um carro com a família no Rio de Janeiro quando foi alvejado por 80 tiros por uma equipe do Exército no último domingo (7).
“Sob pressão e sob forte emoção, ocorrem erros dessa natureza. Isso aí está sendo investigado, foi aberto o inquérito policial militar devido. Aqueles que forem culpados -a gente já sabe que tem um oficial, que tem um comandante- toda situação dessa natureza o responsável é o comandante, é o primeiro responsável. Então a gente não tem a mínima dúvida que, uma vez comprovada a culpabilidade dos militares que integravam aquela patrulha, eles serão submetidos ao julgamento e condenados na forma da lei se for o caso”, disse em entrevista à rádio CBN.
O vice afirmou ainda que “disparos péssimos” evitaram que uma tragédia maior acontecesse em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro.
“Houve uma série de disparos contra o veículo da família, né? Você vê que só uma pessoa foi atingida [ao menos três foram atingidas], então foram disparos péssimos, né? Porque se fossem disparos controlados e com a devida precisão não teria sobrado ninguém dentro do veículo. Seria pior ainda a tragédia. Então isso é um fato”, disse Mourão.
Além de Rosa, o sogro do músico também foi atingido pelos disparos. 
Militares do Exército dispararam mais de 80 tiros contra um carro, que levava a família de Evaldo, na região da Vila Militar. Um homem morreu e duas pessoas ficaram feridas.
As cinco pessoas que estavam no Ford Ka branco atingido iam a um chá de bebê. O músico morreu na hora, seu sogro, Sérgio Gonçalves, foi internado no Hospital Albert Schweitzer, sua esposa e o filho do casal, de sete anos, além de uma amiga da família não foram atingidos. Um pedestre que passava no local ficou ferido ao tentar ajudar.
O Palácio do Planalto não tem se posicionado sobre o tema. O porta-voz da Presidência, questionado inúmeras vezes sobre o tema, respondeu apenas que o presidente Jair Bolsonaro confia na Justiça militar.
Segundo o Comando Militar do Leste, a equipe militar realizava um patrulhamento regular no perímetro de segurança da Vila Militar, que fica próxima ao bairro onde ocorreu o assassinato.
O Rio de Janeiro não se encontra mais sob intervenção federal na segurança pública desde o fim do ano passado. Também em dezembro teve fim uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), decretada pelo ex-presidente Michel Temer, que dava poder de polícia às Forças Armadas.
Lei sancionada por Temer em 2017 determina que crimes dolosos contra a vida, cometidos por militares contra civis, serão de competência da Justiça Militar em três casos. São eles: se praticados no cumprimento de atribuições estabelecidas pelo presidente ou pelo Ministro de Estado da Defesa; se cometidos em ação que envolva a segurança de instituição militar; se forem de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem.
Na madrugada de sexta-feira (5), um jovem morreu e outro ficou ferido, atingidos por militares perto da Vila Militar, na zona oeste do Rio. 
Segundo o CML, quatro criminosos furaram um posto de bloqueio e controle do Exército e, após desobedecerem sucessivas ordens de parar, lançaram os veículos contra as sentinelas, que reagiram à agressão. Outros dois teriam fugido.
A Polícia do Exército compareceu ao local para realizar uma perícia e um inquérito policial militar foi instaurado para apurar o caso. A família contesta a versão dos militares.
Fonte: Folha